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  Apresentação

Nasceu em 1988 na cidade do Porto, para defender os interesses do pessoal administrativo da área da saúde, numa altura em que aumentava o descontentamento da classe. O primeiro encontro da Associação Sindical do Pessoal Administrativo da Saúde (ASPAS) aconteceu no auditório da Faculdade de Medicina do Hospital de S. João, com um grupo de profissionais da área, que sentiram necessidade de se criar uma estrutura que pudesse defender a classe.

Em que contexto é que surgiu a Associação? E qual é a sua missão?
Esta associação surgiu de um descontentamento generalizado dos profissionais do sector, em finais dos anos 80. Na área da saúde a nossa classe sentia-se marginalizada e com constantes perdas de regalias. As exigências profissionais, com a introdução das novas tecnologias no sector, começavam a aumentar e o sector não se sentia recompensado. Por outro lado, o recrutamento era facilitado, o que implicava a entrada no sector de pessoas que não tinham as qualificações profissionais necessárias, para desempenhar estas funções. Por esse motivo ao longo dos anos temos vindo a enfrentar um caminho difícil, em termos reivindicativos.
O primeiro encontro realizado teve muita adesão e a partir desse momento foi decidido criar esta associação.
A nossa grande proposta é criar um curso técnico para o pessoal administrativo da área da saúde.

Porque defendemos que para ingressar na carreira será necessário formação profissional?
Seria importante que estes profissionais tivessem um curso, equivalente ao bacharelato e que fosse possível profissionalizar a carreira. O grande problema deste sector é que a oferta de recrutamento é muito grande, mas é uma oferta não especializada.
A nossa Associação apresentou, para esse efeito, uma proposta ao Ministério da Saúde, para a criação desse curso. A proposta foi bem aceite pelo Ministério, mas ficou congelada por dificuldades financeiras.

Desde a criação da associação esta foi sempre a vossa luta?
Efectivamente sim. Não queremos que a classe seja recompensada sem qualificações. Exigimos dos outros, mas também de nós próprios. Não nos interessa a quantidade mas a qualidade, queremos que o sector seja profissional, para que não haja disparidades em termos profissionais, dentro do sector da saúde.

As entidades competentes estão sensibilizadas para essa necessidade de profissionalização?
Estão sensibilizadas, mas em termos legislativos o processo não avança e não são criadas as bases de raiz necessárias. Tem sido um processo moroso e sem data definida para ser concretizado.
Entretanto existe facilidade na substituição de um administrativo, porque a oferta é alargada, mas quem sai prejudicado é o utente e o Serviço Nacional de Saúde. Queremos que sejam exigentes com os profissionais deste sector e depois que os recompensem.
Nesse sentido entendemos que faz todo o sentido que exista um curso técnico, para os profissionais administrativos da saúde.
A criação deste curso deveria ser feito de forma gradual, até porque os primeiros técnicos especializados só estariam formados daqui a três anos.
O que propomos é que quem pretendesse ingressar nesta carreira teria que tirar o curso e os profissionais que já trabalham nesta área estariam sujeitos ao mesmo procedimento pela frequência do curso pós-laboral pelo período de um ano, mas ganhariam o estatuto de técnicos.

Para além do problema da qualificação, que outros problemas enfrenta esta classe ?
Os profissionais administrativos da saúde enfrentam os problemas comuns da função pública. Neste momento existe o problema do vínculo, o vínculo definitivo tenda acabar e só há entradas na função pública através de contratosa termo ou individual de trabalho, o que cria instabilidade de emprego. As gravosas alterações ao estatuto de aposentação, actualizações salariais insuficientes, congelamento das progressões nos escalões, aumentos de impostos, etc. etc. , criou graves problemas. A reforma da administração pública está igualmente a motivar muitas preocupações.
Toda esta situação incerta no mercado de trabalho que se verifica hoje, quer na função pública, quer no sector privado, origina enormes apreensões.

Para além do aspecto reivindicativo, que outro tipo de acções é que a Associação desenvolve?
A Associação promove congressos, seminários, cursos de formação, presta apoio jurídico e pareceres aos nossos associados, publicamos uma revista trimestral, efectuamos visitas programadas às Instituições etc.
Temos os meios necessários; sede nova, viatura, disponibilidade e vontade.



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